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Artigo

Produtos Cosméticos Naturais

Emiro Khury

Após um evento como o Congresso Brasileiro de Cosmetologia é interessante ouvir os reflexos do mercado aos temas que mais sensibilizaram os participantes. Na ABC - Associação Brasileira de Cosmetologia percebemos estes reflexos através das perguntas encaminhadas à biblioteca pelos nossos associados, pelos questionamentos dos alunos dos cursos promovidos pela entidade, pelos pedidos para montagem de palestras ou através dos comentários dos participantes dos eventos quanto ao impacto que a abordagem destes temas alcança no aumento das solicitações de determinados ingredientes aos fornecedores de matérias primas. Este ano me surpreendi com algumas consultas e também com a ausência de outras. A ausente que pretendo destacar é a palestra da Chantra Eskes do ECVAM - European Centre for the Validation of Alternative Methods sobre a adoção de métodos alternativos aos testes em animais no mercado europeu. Quase ninguém percebeu que em breve este tema será de grande importância também para o nosso mercado. Mas enquanto a “coisa não pega” por aqui, a gente só fica olhando o incêndio no quintal do vizinho. No meu entendimento a questão do uso de animais em testes clínicos mereceu o destaque que observamos na Europa e Estados Unidos principalmente devido à importância do tema para a sociedade e para os grupos de consumidores organizados destes mercados. Lá a pressão foi suficiente para possibilitar a liberação de investimentos gigantescos tanto de empresas como das organizações governamentais (o ECVAM é uma delas), que permitiram o avanço nas técnicas que substituem os animais como modelos biológicos nos testes de segurança de ingredientes ou produtos cosméticos acabados.

Outro tema que, ao contrario do primeiro, chamou a atenção dos participantes resultando em várias consultas a nossa biblioteca foi abordado pela nossa colega chilena Maite San Miguel, que falou sobre produtos cosméticos orgânicos e naturais. Maite abordou o tema de forma oportuna destacando a importância que esse assunto tem atualmente para os consumidores de produtos cosméticos de diversos países.

Antecipando um pouco as conclusões deste editorial, chamamos a atenção do leitor para o fato de que encontramos o consumidor esclarecido e organizado como ponto comum aos dois temas que escolhemos destacar.

Logo na semana seguinte ao congresso, surgiu a oportunidade de proferir uma palestra sobre o mesmo tema — Produtos Cosméticos Orgânicos e Naturais — para uma das grandes empresas brasileiras fornecedoras de ingredientes para produtos cosméticos.

Parece que é comum a nós, técnicos, encararmos estas oportunidades como meio de nos aprofundarmos em temas interessantes, mas que não mereceram ainda espaço na nossa agenda de leitura.

Mais que rapidamente aceito o convite e iniciado o trabalho de revisão do assunto deparamos com a falta de harmonização em muitos pontos importantes desse assunto. Em entrevistas com representantes de empresas certificadoras confirmamos que além delas adotarem diferentes programas de certificação para os diversos selos que emitem, a definição de produto cosmético orgânico não é exatamente a mesma para todas elas e depende da interpretação adotada em alguns países para classificar os ingredientes genuinamente procedentes de cultivo, colheita e extração orgânicos e outros ingredientes que poderiam constar das formulações, mas sofreriam restrições em seu uso em porcentagens que não comprometeriam a adoção atributo de produto orgânico. Seriam considerados banidos do arsenal do formulador os ingredientes etoxilados, derivados de petróleo e silicone, fragrâncias e corantes sintéticos entre outros. Outro ponto interessante é a importância dada ao processo de certificação dos ingredientes e do produto acabado como forma de garantir ao consumidor a idoneidade deste atributo.

Se por um lado percebeu-se a falta de unidade nas diretrizes e regras para o desenvolvimento e fabricação deste tipo de produto, por outro se confirmou o grande interesse dos consumidores de alguns países por ele. Este interesse, segundo a palestra de Maite, seria devido à maior consciência dos consumidores com as questões ambientais sociais e ecológicas como também à preocupação com sua própria saúde e bem estar pessoais.

Palestra feita, sobrou a vontade de aprofundar ainda mais o tema e atender ao interesse dos nossos associados. Para isto a diretoria da ABC está iniciando o contato com as entidades certificadoras que atuam no Brasil e convidando-as para um seminário que será realizado em data oportuna, juntamente com alguns fornecedores de ingredientes orgânicos e fabricantes de produtos cosméticos orgânicos ou naturais. Estamos certos de que com esta iniciativa vamos contribuir para esclarecer as dúvidas de nossos associados e ajudar na qualificação técnica dos nossos profissionais preparando-os para quando as questões ambientais, sociais e, porque não também políticas, sejam consideradas com mais seriedade por nossa sociedade e por nossos consumidores.

 

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